Atualizações de fevereiro 2015 Ativar/desativar aninhamento de comentários | Teclas de atalho

  • 12 fev

    Por Leonardo Boff 

     

    O bem comum foi enviado ao limbo

     
  • 21 jan

    Estamos sem água, e parece que vamos ficar sem luz. E agora? 

    “O decrescimento é uma proposta alternativa para a política pós-desenvolvimento. Sua meta é uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando e consumindo menos.” Serge Latouche

    Diante do cenário policrísico que atravessamos, não enxergo neste momento outra saída para o capitalismo a não ser o decrescimento sereno. Já estamos vivendo uma era de incertezas e escassez que nos obriga a repensar a maneira como vivemos. Em São Paulo, onde resido atualmente, sentimos na pele o calor excessivo, a falta de água com o rodízio velado em bairros da periferia e falta de energia elétrica, resultado das mudanças climáticas que são ocasionadas pela sociedade dos excessos.
    Em maio de 2014, o professor José Goldemberg já alertava sobre a falta de energia elétrica no Brasil: “Corremos o risco de apagões elétricos e isso é evidente, só o ministro da energia não vê isso… ou está tentando empurrar o problema para o ano que vem baixando a tarifa de energia”. O professor ainda fez um alerta sobre a pane nos sistemas das hidroelétricas e comentou que as termoelétricas, naquela época, já operavam acima da capacidade. E agora?
    Segundo o relatório “Mudando a atmosfera: Antropologia e Mudança climática”, disponível no site da American Anthropological Association, psicólogos consideram que os mecanismos cognitivos e emocionais influenciam a percepção, e isso já havia sido anunciado por Edgar Morin e Frijot Capra, devido à crise de percepção em função da visão mecanicista da vida e da incapacidade de a ciência enxergar a vida como sistemas. A questão em jogo é que a falta e o excesso de informações levaram a sociedade científica e os tomadores de decisões globais a diferentes interpretações sobre o fenômeno das mudanças climáticas. O resultado desastroso é que ainda hoje existem certos grupos que acreditam que os estudos sobre as mudanças climáticas são exagerados ou mesmo que o fenômeno não existe. Isso acontece por alguns motivos: o nosso imprinting cultural, a normatização excessiva, a visão de mundo ocidentalizada, que analisa as crises apenas sob os aspectos econômicos, reflexo da visão fragmentada entre natureza e cultura. Por isso, é tão difícil abandonarmos certos padrões mentais e comportamentos repetitivos e até mesmo perversos – pessoa que persiste no erro, teimosa, que ignora as evidências, que se desvia do certo e do verdadeiro.
    É o efeito recursivo de como agimos. Isso se espelha na sociedade e talvez seja por isso que não consigamos alcançar padrões de comportamentos que nos levem à sustentabilidade.
    Não encaro o consumo como o único vilão dessa história, mas a arrogância e os modos de vida desde a modernidade, que separou natureza e cultura e atribuiu ao homem o falso poder de controlar a vida e os fenômenos da natureza. Somos frutos da artificialidade que nós mesmos criamos, e isso é fácil de entender: basta acessarmos o Facebook e nos depararmos com as mentiras que contamos sobre nós mesmos. Mesmo assim, como sou esperançosa, acredito que muitas bifurcações nos levarão às regenerações e metamorfoses múltiplas e simultâneas, que nos colocarão novamente em reconexão com a tríade perdida indivíduo-espécie-sociedade e nos trarão um novo modo de vida em que nossos valores serão revitalizados, recontextualizados e reeditados para o bem da era planetária. É preciso ecologizarmos as ideias. Ecologizar significa reaprender a pensar!

    VIVIAN APARECIDA BLASO SOUZA SOARES CESAR – Docente na FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado. Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais.  Pesquisadora do Complexus Núcleo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Relações Públicas. Especialista em Sustentabilidade. Diretora da Agência Conversa Sustentável. Autora do Blog: Conversa Sustentável. E-mail:  vivianblaso@uol.com.br

     
  • 20 jan

    Crise no sistema de abastecimento de energia já havia sido anunciada 

    Em maio de 2014 o Professor José Goldemberg já alertava sobre a falta de energia elétrica no Brasil. “Corremos o risco de apagões elétricos e isso é evidente, só o ministro da energia não vê isso… ou está tentando empurrar o problema para o ano que vem baixando a tarifa de energia”

    Exatamente como previsto por Goldemberg essa crise já havia sido anunciada. O professor, ainda fez o alerta sobre a pane nos sistemas das hidroelétricas e comentou que as termoelétricas naquela época, já operavam acima da capacidade. E agora?

    Entrevista completa:  ENTREVISTA COM JOSÉ GOLDEMBERG

     
  • 19 jan

    Recomendação de Leitura: Pequeno tratado do decrescimento sereno 

    7045049GGO decrescimento é uma proposta alternativa para a política pós-desenvolvimento. Sua meta é uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando e consumindo menos. Serge Latouche.

    Estou lendo este livro de Serge Latouche e diante o cenário policrísico que atravessamos, não enxergo neste momento outra saída para o capitalismo que o decrescimento sereno. Já estamos vivendo uma era de incertezas e escassez que nos obriga a repensarmos a maneira como vivemos. Em São Paulo, onde resido atualmente, sentimos na pele o calor excessivo, a falta de água com o rodízio velado em bairros da periferia, e falta de energia eletrética, resultados das mudanças climáticas que são ocasionadas pela sociedade dos excessos.Não encaro o consumo como vilão dessa história, mas a arrogância, e os modos de vida desde de a modernidade que separou natureza e cultura e atribuiu ao homem o falso poder de controlar a vida e os fenômenos da natureza. Somos frutos da artificialidade que nós mesmos criamos e isso é fácil de entender: basta acessarmos o facebook e nos depararmos com as mentiras que contamos sobre nós mesmos. Mesmo assim, como sou esperançosa, acredito que muitas bifurcações nos levarão às regenerações e metamorfoses múltiplas e simultâneas que nos colocarão novamente em reconexão com a tríade perdida indivíduo-espécie-sociedade e nos tratará um novo modo de vida onde nossos valores serão revitalizados, recontextualizados e reeditados para o bem da era planetária. Professora, Vivian Blaso – Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais, editora do Blog Conversa Sustentável.

     
  • 4 ago

    Comunicação e Sustentabilidade: caminhos e desafios 

    Professora Vivian Ap. Blaso Souza Soares César, Doutoranda E Mestre Em Ciências Sociais (PUC-SP), MBA Em Gestão Estratégica De Marketing (UFMG), Especialista Em Sustentabilidade (FDC) E Relações Públicas (CNP)-.
    Autora Do Blog: http://conversasustentavel.blogspot.com.br/

     Comunicação e Sustentabilidade
    Nos processos de comunicação para sustentabilidade, é importante considerar os efeitos da tríplice ação ética-transparência-governança, porque hoje, na sociedade em redes, apenas um clique, impulsionado por um descompasso entre discurso e prática, pode abalar a reputação das organizações. O efeito negativo dessa tríplice ação é o surgimento espontâneo de crises reputacionais que poderão comprometer os negócios. Ao mesmo tempo, esse efeito também nos direciona a trilhar um caminho em que as organizações busquem cada vez mais a veracidade das informações, a concretude e a transparência.
    Para iniciar o processo de comunicação sustentável, é importante a realização de um diagnóstico que apresente o posicionamento e a situação da marca e do produto no mercado em relação à sustentabilidade.

    O diagnóstico pode ser feito em cinco etapas: Situação da Marca no Mercado, Situação da Comunicação, Estratégia de Conteúdo por Produto, Sustentabilidade do Produto e Sustentabilidade da Empresa. É importante destacar que a empresa deverá relatar os objetivos estratégicos destacando as necessidades de comunicação com cada parte interessada. Os profissionais de comunicação e marketing, a partir desse diagnóstico, conseguirão enxergar as necessidades de outras pesquisas e os métodos adequados para a estruturação de um plano de comunicação estratégica que vise a comunicação sustentável.

     
  • 29 abr

    Pensamento do Dia: Somos todos macacos? 

    Foto:Sítio dos meus pais em São José da Lapa, em Minas Gerais.
    Nos oferecemos bananas aos micos e eles nos brindam com interações e reciprocidades.
    Somos todos macacos?
    Ansiedade, precipitação, falta de visão sistêmica e imediatismo seriam os sintomas da nossa sociedade vigilante? Somos guiados por tecnologias smarts e a maioria das pessoas acha que sofre de TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade)? É isso mesmo? O sistema está em colapso e estamos à beira de um ataque de nervos? Infelizmente, esses comportamentos vêm sendo incorporados pelas pessoas também nos processos de gestão das marcas e talvez seja por isso que ataques de net-ativistas vêm sendo incorporados por consumidores ou formadores de opinião que vigiam os comportamentos e discursos equivocados frequentemente alvo desse tipo de ação. Gosto de lembrar o que Foucault (1970) mencionou sobre as práticas discursivas: “As práticas discursivas não são pura e simplesmente modos de fabricação de discursos. Ganham corpo em conjuntos técnicos, em instituições, em esquemas de comportamento, em tipos de transmissão e difusão, em formas pedagógicas, que ao mesmo tempo as impõem e as mantêm”. Por isso, a responsabilidade de todos nós só aumenta porque as práticas discursivas em curso apenas mantêm o que estamos presenciando na boca das campanhas equivocadas – elas revelam muito sobre o pensamento vigente da nossa sociedade atual e sobre nós mesmos. Todo cuidado é pouco.
    Precisamos mudar nosso modelo mental. Chega de jogar pedra na Geni: a publicidade não é a vilã! Só para lembrar: somos primatas humanos, incompletos. Nunca teremos as nossas necessidades plenamente satisfeitas, mas nossa responsabilidade aumenta cada vez mais porque temos o domínio de técnicas que nos permitem tomar decisões sobre todos os outros seres vivos da terra. Mas isso não nos faz superiores; ao contrário, tem nos tornado medíocres e míopes em relação a nós mesmos e às outras espécies. Esquecemos a solidariedade, a reciprocidade a favor de uma “moral” que privilegia os valores capitalistas de mercado.

    Frans de Waal, em suas pesquisas com bonobos e chimpanzés, conseguiu comprovar que a moralidade está presente também em primatas não humanos porque há dois fatores sempre presentes: a reciprocidade, o senso de justiça e a partir deles a empatia e a compaixão. Infelizmente, os humanos vêm demonstrando visões imediatistas, supondo que o dinheiro pode comprar tudo ou que a publicidade pode vender tudo. No entanto, nem sempre essas estratégias capitalistas têm convencido as pessoas dessa falsa moral, e a campanha #somostodosmacacos acabou causando a antipatia do público. Encerro essa reflexão com o pensamento de Edgar Morin: “A dominação dos objetos materiais, o controle das energias e a manipulação dos seres vivos foram importantes para o avanço da humanidade, mas se tornou míope para captar as realidades humanas, convertendo-se numa ameaça para o futuro humano”. Professora Vivian Blaso, Doutorada em Mestre em Ciências Sociais e autora do Blog Conversa Sustentável.

     
  • 29 abr

    O Carro que eu quero 

    Eu assinei e faço parte do coro que ajuda a promover importantes mudanças e a chamar a atenção das grandes montadoras para que estas produzam carros mais eficientes energeticamente. No Brasil, o setor de transportes é um dos que mais contribuem para o aquecimento global: além de emitir mais gases de efeito estufa na atmosfera, esses carros do passado consomem mais combustível, afetando diretamente o meio ambiente e também o seu bolso. Assine também: http://www.ocarroqueeuquero.org.br

     
  • 24 abr

    Pensamento do dia 

    “Cuidar da Sustentabilidade é mais que um discurso, é a preocupação ideológica, moral e ética com os valores da sociedade. Valores Humanos e de Cidadania são conectados com as dimensões da Sustentabilidade, e é necessário, antes de tudo, pensar de maneira sistêmica e complexa nos efeitos e impactos que cada atitude pode causar na sociedade. Conversar com as pessoas é manter um diálogo aberto para proporcionar mudanças no comportamento individual e coletivo visando a solidariedade. As organizações têm um papel fundamental na Educação e na influência de comportamentos e novos hábitos da sociedade e deverão ser movidos pelo quadrimotor ecologia, ética, transparência e responsabilidade sócio ambiental”. Vivian Blaso, editora do Blog Conversa Sustentável.
     
  • 21 jan

    Diversão e Arte? Não, Rolezinho 

    Professora Vivian Ap. Blaso S. S. César, Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Diretora da Agência de Relações Públicas Conversa Sustentável e  autora do Blog Conversa Sustentável. 

     A partir dos anos 90 até os dias de hoje, São Paulo passou por períodos de grandes mudanças, pois na região metropolitana houve uma desconcentração das atividades industriais e uma reestruturação das atividades terciárias, consequência da globalização. 
    A metrópole transformou-se e ficou conhecida como capital dos serviços. Com isso, a segregação espacial tornou-se evidente, e os processos de favelização e o adensamento das populações de baixa renda concentraram-se nas periferias da cidade. 
    Vamos destacar alguns fatores que foram responsáveis pela mudança do perfil da cidade, articulados ao setor imobiliário, que é considerado um dos agentes indutores dos processos de concepção e transformações das cidades:
    • A competitividade do setor na construção civil e o “esgotamento do modelo de financiamento à produção” – as construtoras e incorporadoras passaram a ser agentes de financiamento aos consumidores;
    • Abertura econômica e reorganização da economia em bloco;
    • Mudança nas relações entre capital e trabalho;
    • Mudanças no ambiente competitivo global;
    • Mudanças no perfil do consumidor brasileiro;
    • Novas formas de financiamento estavam ligadas às necessidades de retorno e margens adequadas para assegurar a atratividade do mercado;
    • Novos parâmetros de projeto e execução das obras – o Estado também passou a ser agente financiador da construção civil;
    • Número elevado de competidores na produção – em função da concorrência os preços são impostos pela demanda;
    • Integração entre todos os agentes do setor.

    Nesse contexto, os shoppings centers foram concebidos para garantir às elites um local privilegiado para o consumo. Promessas de segurança, conforto, lazer, como explicado por Tereza Caldeira e ratificado por Zygmunt Bauman em seu livro Confiança e medo na cidade, mostram-nos como a relação centro/periferia provocou uma tensão que colocou a classe média em risco de acabar vítima de um processo que não conhece e de perder o “bem-estar” conquistado no decorrer das últimas décadas. 
    Essa dinâmica estrutural da ocupação das cidades e a forma como as cidades montam e desmontam seus espaços de elite, excluindo para as periferias as populações menos privilegiadas, acabam gerando conflitos e a segregação. 
    Os shoppings centers atendem à nova proposta estética de segurança para as cidades globais, pois elas pressupõem certa vigilância. Segundo Bauman, “as cidades contemporâneas são campos de batalha, nos quais os poderes  globais e os sentidos e identidades tenazmente locais se encontram, se confrontam e lutam tentando chegar a uma solução satisfatória ou pelo menos aceitável para esse conflito: um modo de convivência que espera-se possa equivaler a uma paz duradoura, mas em geral se revela antes um armistício, uma trégua útil para reparar as defesas abatidas e reorganizar as unidades de combate. É esse confronto geral, e não algum fator particular, que aciona e orienta a dinâmica da cidade na modernidade líquida – de todas as cidades, sem sobra de dúvida, embora não de todas elas no mesmo grau” (Bauman, p. 35, 2005).

    Os “rolezinhos” têm chamado a atenção da sociedade,  incomodado as elites tirado os dirigentes dos shoppings centers da zona de conforto, e o medo desse novo fenômeno na sociedade brasileira faz com que a polícia reaja com ações truculentas, violentas e opressoras.

    Jovens considerados da “periferia” ocupam os templos do consumo. Conectados em redes sociais, articulam-se e manifestam seus desejos, vontades e pensamentos sobre marcas, produtos e serviços. Talvez eles tenham encontrado nessas redes um dos espaços mais democráticos e de mobilização, que vem mediando as manifestações e a luta por garantia de direitos e fazendo renascer o desejo por mais cidadania. 

    Os jovens participantes dos “rolezinhos” também são consumidores. De acordo com o sociólogo e especialista em comportamento do consumidor Fábio Mariano Borges, “todos nós somos consumidores, mesmo quando não nos damos conta. Os diferentes papéis que desempenhamos na vida contemporânea nos colocam claramente como consumidores ou, então, como responsáveis por um tipo de consumo”. 

    Os jovens praticantes dos “rolezinhos” são estrangeiros? 

    “O estrangeiro é, por definição, alguém cuja ação é guiada por intenções que, no máximo, se pode tentar adivinhar, mas que ninguém jamais conhecerá com certeza. O estrangeiro é a variável desconhecida do cálculo das equações quando chega a hora de tomar decisões sobre o que fazer”  (Bauman, p. 37, 2005).

    Não, os praticantes dos ”rolezinhos” são os vizinhos que estão separados por muros.

    Refugiar-se em ilhas de segurança, como os condomínios fechados, é a prova de que nós consumidores estamos atendendo à demanda proposta para as novas cidades. 

    “A cidade sempre teve relações com a sociedade no seu conjunto, com sua composição e seu funcionamento, com seus elementos constituintes (campo e agricultura, poder ofensivo e defensivo, poderes políticos, Estados etc.), com sua história. Portanto, ela muda quando muda a sociedade no seu conjunto. Portanto, as transformações da cidade não são os resultados passivos da globalidade social, de suas modificações. A cidade depende também e não menos essencialmente das relações de imediatice, das relações diretas entre pessoas e grupos que compõem a sociedade (famílias, corpos organizados, profissões e corporações etc.); ela não se reduz mais à organização dessas relações imediatas e diretas, nem suas metamorfoses se reduzem às mudanças nessas relações” (Henri Lefebvre, 1999).

    Por isso, é necessário romper com a visão dualista entre centro e periferia e caminharmos na direção de um pensamento que religue esses polos, o jovem de elite e o jovem da periferia; as relações estão entrelaçadas, interconectadas e interdependentes e fazem parte de um mesmo fenômeno: “rolezinho”.

    Encerro esta reflexão com a letra da música Comida, da banda Titãs, para lembrar que a nova classe C no Brasil deseja todo tipo de consumo e inserção na vida em redes. Provavelmente, os jovens dos “rolezinhos” não querem só comida; eles também querem diversão e arte.    

    “A gente não quer só comida
    A gente quer bebida
    Diversão, balé
    A gente não quer só comida
    A gente quer a vida
    Como a vida quer”  
    Bibliografia 
    BAUMAN, Zygmunt. Confiança e medo na cidade. Trad.Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.  
    LEFEBVRE, Henri. A revolução urbana. Trad. Sérgio Martins. Belo Horizonte:  Ed. UFMG, 1999.

     
  • 13 dez

    Cuidado del cuerpo versus culto del cuerpo 

    Entender la existencia humana a partir de la teoría de la complejidad es enriquecedor. Somos seres complejos, vale decir, en los que se da la convergencia de un sinnúmero de factores, materiales, biológicos, energéticos, espirituales, terrenales y cósmicos. Poseemos una exterioridad con la cual nos hacemos presentes unos a otros y pertenecemos al universo de los cuerpos. Y tenemos una interioridad, habitada por vigorosas energías positivas y negativas que forman nuestra individualidad psíquica. Somos portadores de la dimensión de lo profundo por donde rondan las preguntas más significativas del sentido de nuestro paso por este mundo. Estas dimensiones conviven e interactúan permanentemente influenciándose unas a otras y moldean eso que llamamos el ser humano.
    Todo en nosotros tiene que ser cuidado, si no, perdemos el equilibrio de las fuerzas que nos construyen y nos deshumanizamos. Al abordar el tema del cuidado del cuerpo es menester oponerse conscientemente a los dualismos que la cultura persiste en mantener: por un lado el «cuerpo», desvinculado del espíritu y por otro el «espíritu» desmaterializado de su cuerpo. Y así perdemos la unidad de la vida humana.
    La propaganda comercial explota esta dualidad, presentando el cuerpo no como la totalidad de lo humano, sino parcializándolo, sus músculos, sus manos, sus pies, en fin, sus distintas partes. Las principales víctimas de esta fragmentación son las mujeres, pues la visión machista se refugió en el mundo mediático del marketing usando partes de la mujer, sus pechos, su sexo y otras partes, para seguir haciendo de la mujer un «objeto» de consumo de hombres machistas. Debemos oponernos firmemente a esta deformación cultural.
    También es importante rechazar el «culto al cuerpo» promovido por la infinidad de gimnasios y otras forma de trabajo sobre la dimensión física, como si el hombre/mujer-cuerpo fuese una máquina desposeída de espíritu que busca desarrollos musculares cada vez mayores. Con esto no queremos de ninguna manera desmerecer los distintos tipos de ejercicios de gimnasia al servicio de la salud y de una mayor integración cuerpo-mente, los masajes que renuevan el vigor del cuerpo y hacen fluir las energías vitales, en particular las disciplinas orientales como el yoga, que favorece tanto una postura meditativa de la vida, o el incentivo a una alimentación equilibrada, incluyendo también el ayuno, bien como ascesis voluntaria o como forma de armonizar mejor las energías vitales.
    El vestuario merece una consideración especial. No solo tiene una función utilitaria para protegernos de las intemperies. También tiene que ver con el cuidado del cuerpo, pues el vestuario representa un lenguaje, una forma de revelarse en el teatro de la vida. Es importante cuidar de que el vestuario sea expresión de un modo de ser y que muestre el perfil humano y estético de la persona. Es especialmente significativo en la mujer pues ella tiene una relación más íntima con su propio cuerpo y con su apariencia.
    Nada más ridículo y demostrativo de anemia de espíritu que las bellezas construidas a base de botox y de cirugías plásticas innecesarias. Sobre este embellecimiento artificial hay montada toda una industria de cosméticos y de prácticas de adelgazamiento en clínicas y spas que difícilmente sirven a una dimensión más integradora del cuerpo. Esto no quiere decir que haya que invalidar los masajes y los cosméticos importantes para la piel y para el justo embellecimiento de las personas. Pero hay una belleza propia de cada edad, un encanto que nace del trabajo de la vida y del espíritu en la expresión corporal del ser humano. No hay photoshop que sustituya la ruda belleza del rostro de un trabajador tallado por la dureza de la vida, los rasgos faciales modelados por el sufrimiento. La lucha de tantas mujeres trabajadoras en el campo, en las ciudades y en las fábricas dejó en sus cuerpos otro tipo de belleza, frecuentemente con una expresión de gran fuerza y energía. Hablan de la vida real y no de la vida artificial y construida. Por el contrario, las fotos trabajadas de los iconos de la belleza convencional, casi todos moldeados por tipos de belleza a la moda, mal disfrazan la artificialidad de la figura y la vanidad frívola que ahí se revela.
    Tales personas son víctimas de una cultura que no cultiva el cuidado propio de cada fase de la vida, con su belleza y luminosidad, y también con las marcas de una vida vivida que dejó estampada en el rostro y en el cuerpo las luchas, los sufrimientos, las superaciones. Tales marcas crean una belleza singular y una luminosidad específica, en vez de fijar a las personas en un tipo de perfil de un pasado ya vivido.
    Cuidamos positivamente del cuerpo regresando a la naturaleza y a la Tierra, de las cuales nos habíamos exiliado hace siglos, con una actitud de sinergia y de comunión con todas las cosas. Esto significa establecer una relación de biofilia, de amor y de sensibilización hacia los animales, las flores, las plantas, los climas, los paisajes y la Tierra. Cuando nos la muestran desde el espacio exterior –esas preciosas imágenes del globo terrestre trasmitidas por los telescopios o por las naves espaciales–, irrumpe en nosotros un sentido de reverencia, de respeto y de amor por nuestra Gran Madre, de cuyo útero venimos todos. Ella es pequeña, cosmológicamente ya envejecida, pero radiante y llena de vida.
    Tal vez el mayor desafío para el ser humano-cuerpo consiste en lograr un equilibrio entre la autoafirmación sin caer en la arrogancia y el menosprecio de los otros, y la integración en un todo mayor, la familia, la comunidad, el grupo de trabajo y la sociedad, sin dejarse masificar y caer en una adhesión acrítica. La búsqueda de este equilibrio no se resuelve de una vez por todas, debe de ser trabajada diariamente, pues se nos pide en cada momento. Hay que encontrar el balance adecuado entre las dos fuerzas que nos pueden desgarrar o integrar.
    El cuidado de nuestro estar-en-el-mundo incluye también nuestra dieta: lo que comemos y bebemos. Hacer del comer más que un acto de nutrición, un rito de celebración y de comunión con los otros comensales y con los frutos de la generosidad de la Tierra. Saber escoger los productos orgánicos o los menos quimicalizados. De ahí resulta una vida sana que asume el principio de precaución contra eventuales enfermedades que nos pueden sobrevenir por el ambiente degradado.
    De esta manera el ser humano-cuerpo deja transparentar su armonía interior y exterior, como miembro de la gran comunidad de vida.
    Traducción de Mª José Gavito Milano
     
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