Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável aponta os caminhos e ferramentas para a sustentabilidade no setor

A Sustentabilidade na construção civil tem sido pauta das principais discussões do país. No último Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado em São Paulo nos dias 04 e 05 de setembro, alguns pontos da discussão chamaram a atenção:

Ética e Legalidade

Oded Grajew, Conselheiro do Instituto Ethos deu seu depoimento como empresário e mostrou ao público, que é possível ter sucesso trabalhando na legalidade com ética e responsabilidade social. Oded chamou a atenção que “Estamos vivendo uma época que as empresas e as pessoas já têm os recursos, já conhecessem os riscos e já sabem as soluções para a mudança o que falta é mudar, mudar a cultura das pessoas para a sustentabilidade”.

A sociedade civil quando organizada em redes tem condições de promover essa mudança, hoje às políticas públicas são insuficientes para a cultura da sustentabilidade é necessário a mudança no dia a dia das pessoas e das organizações. Além disso, a inclusão do tema de forma transversal proporciona maior conhecimento do assunto e possibilidades de esclarecimentos que a sustentabilidade não é apenas impacto ambiental dos produtos.

È necessária uma mudança na função social da empresa, ou seja, um retorno para todas as partes interessadas (stakeholders) para que isso ocorra é preciso alinhar as estratégias das empresas com a sociedade, ou seja; gestão sustentável do negócio, relacionamento ético e transparente e cidadania corporativa.

Educação

A educação continua na pauta de discussões no setor, como fonte propulsora da diminuição dos acidentes de trabalho nos canteiros de obras, em São Paulo em parceria com o Sinduscon SESI e SENAI é realizada a Mega Sipat que dentre seus objetivos está o de levar conhecimentos necessários para qualidade de vida no trabalho.

Integração entre as equipes de projeto e equipes de operações dos empreendimentos

A relação de interdenpencia que a sustentabilidade nos propõe também apresenta a necessidade de integração entre as equipes de projetos e operações o diálogo entre as partes interessadas faz minimizar os esforços para transformar os empreendimentos em sustentáveis. Essa integração possibilita medidas simples na fase do projeto como redução de uso de água, energia, ar condicionado, implantação da coleta seletiva de lixo, qualidade interna do ar, acessibilidade dentre outras. Estima-se que os edifícios em operação são responsáveis por 40% da energia do planeta e que os atuais consomem aproximadamente 16% a mais que os edifícios de 25 anos atrás sendo o grande vilão o ar condicionado. O prédio verde que não produz economia na operação não pode ser considerado sustentável. Dessa forma, sustentabilidade é mais que certificação é parte do negócio das organizações.

“Greewash”

A sociedade começa a ter consciência dos “Greewash” ou “Verniz Verde” passa a não tolerar as meias verdades das empresas que se dizem “verdes”.O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, apresentou durante o Simpósio um trabalho desenvolvido pelo comitê de materiais onde é possível identificar através dos 06 passos fornecedores e insumos com critérios de sustentabilidade. “Mais do que orientar para a seleção de produtos, a estratégia é focar a escolha nas empresas”, explica o professor Vanderley John, membro do comitê.

Os seis passos da ferramenta do CBCS são:
verificação da formalidade da empresa fornecedora (CNPJ);
verificação da licença ambiental da unidade fabril;
respeito às normas técnicas que garantem a qualidade do produto;
consulta do perfil de responsabilidade socioambiental da empresa;
identificação da existência de verniz verde (‘greenwash’);
análise da durabilidade e do ciclo de vida do material.
A ferramenta está disponível de forma gratuita através do site

http://www.cbcs.org.br.

Autora: Vivian Aparecida Blaso Souza Soares César, Especialista em Sustentabilidade