Atualizações de agosto 2015 Ativar/desativar aninhamento de comentários | Teclas de atalho

  • 30 ago

    L’Oréal abre inscrições para o seu Programa de Trainee 2015 

    A L’Oréal Brasil abriu o processo seletivo para o seu Programa de Trainee. Os interessados em fazer parte do quadro de jovens talentos da empresa têm até o dia 29 de setembro para realizar sua inscrição pelo site http://lorealtalentos.com.br/. As vagas são destinadas a estudantes de todo o Brasil, com formação em diversas áreas como Administração de Empresas, Design, Economia, Engenharia (todas as modalidades), Ciências Biológicas, Comunicação Social, Marketing, entre outros, que tenham até três anos de formação e com disponibilidade para residir no Rio de Janeiro.

     

    Os trainees da L’Oréal Brasil são desafiados a liderar o desenvolvimento de um projeto estratégico ao longo um ano, tempo que dura o programa. A empresa busca candidatos com um perfil empreendedor e de liderança, voltado à capacidade de tomada de decisão em ambientes desafiadores. “A L’Oréal procura uma diversidade de perfis e valoriza o caminho trilhado por cada um, permitindo a construção de competências individuais, a partir de experiências profissionais e pessoais”, destaca Luisa Fausto, gerente de RH da L’Oréal Brasil.

     

    O programa proporciona aos seus participantes workshops de autoconhecimento, além de acompanhamento de coaching individual, visando dar suporte ao desenvolvimento individual para que o candidato atinja suas metas de forma objetiva. Este ano, os gestores dos trainees selecionados também passarão por um treinamento que os auxiliará a potencializar sua participação no desenvolvimento profissional  e no projeto desse novo colaborador.

     

    Nesta edição, a novidade é o Job Rotation, onde os selecionados terão a oportunidade de atuar em outras áreas da companhia. Além disso, os candidatos devem liderar um projeto individual e que deverá ser apresentado para um comitê formado por executivos, ao fim do programa. “Acreditamos que experiências desafiadoras ajudam no desenvolvimento profissional. Nossos trainees têm responsabilidades verdadeiras, o que permite que sejam preparados para construir carreiras sólidas na empresa”, afirma Luisa.

     

    Processo seletivo

    O processo de seleção é realizado em parceria com a Companhia de Talentos. O primeiro passo é realizar a inscrição no site e responder um quiz sobre o perfil do candidato. Na segunda etapa eles serão avaliados em testes de lógica. Os aprovados nessa fase realizam uma entrevista via Skype. Por fim, serão realizadas entrevistas individuais com o RH e gestores das áreas. As contratações estão previstas para novembro, com início das atividades em janeiro de 2016.

     

    A fluência em um segundo idioma não é pré-requisto para participar do processo. Os selecionados recebem os benefícios de plano de saúde e odontológico, vale refeição, vale transporte, salário compatível com o mercado, previdência privada, entre outros.

     

    A experiência:

     

    “Participar do programa de Trainee da L’Oréal é uma experiência muito completa. O projeto te coloca em interface com diversas áreas da empresa, gerando um enorme aprendizado e networking. Esse é um momento de grande aprimoramento do meu trabalho e amadurecimento da postura profissional, com isso me sinto cada vez mais preparada para assumir desafios maiores na empresa. Fazer parte da maior empresa de beleza do mundo em um programa tão desafiador incentiva minhas ambições de carreira.”

    Maria Koslowski Maia, Trainee de 2015

    “Eu me apaixonei pela L’Oréal, a identificação com a proposta e os objetivos da empresa foi imediata. Todos os dias aprendo algo novo com o ambiente de trabalho diversificado que temos na empresa. Aqui não existem limites para quem assume as responsabilidades de seu trabalho e tem espírito empreendedor. O programa é uma experiência enriquecedora.”

    Rodolfo Souza, Trainee de 2015

     

    SERVIÇO: Programa de Trainee L’Oréal Brasil

    Inscrições: de 25/8 a 29/9 no site http://lorealtalentos.com.br/

    Perfil: Candidatos de todo o Brasil com até três anos de formado, em diversas áreas do conhecimento.

    Locais de contratação: Rio de Janeiro.

     

     
  • 22 ago

    Recomendação de Leitura: A riqueza de poucos beneficia todos nós? Zygmunt Bauman 

    ARiquezaDePoucosBeneficiaTodosNos“Bauman como sempre surpreendente! Recomendo a leitura para refletir a respeito da crise do sistema capitalista. Seria uma grande ilusão pensarmos que o crescimento econômico beneficiaria a todos nós. Estamos entorpecidos e anestesiados por crenças errôneas que comprometem a democracia. O crescimento econômico aumenta o fosso existente entre os super ricos e pobres e pioram as condições de vida nos afastando cada vez mais do estado ilusório de bem estar. Por outro lado, também seria uma grande ilusão condicionarmos a atual realidade na desesperança de um mundo melhor. A esperança está na mudança da mentalidade individual e no realinhamento de valores morais em praticas cotidianas diárias. Eis a grande aposta para o século XXI”. Professora Vivian Blaso, editora do Blog Conversa Sustentável.

     
  • 21 ago

    LAUDATO SI’ 

     
  • 19 ago

    Cidades Inteligentes: Implicações para as Práticas Cotidianas do Consumo 

    Artigo apresentado no  XVII Congresso Brasileiro de Sociologia 20 a 23 de julho de 2015, Porto Alegre (RS) Grupo de Trabalho: GT05 – Consumo e Cidadania

    Modos de vida cada vez mais insuportáveis diante do sistema policrísico atual vem transformando a nossa relação com o consumo. Desperdício de alimentos, alertas da ONU para incluirmos insetos na alimentação cotidiana, movimentos anti fast food, discursos para uma alimentação saudável, escassez de água, falta de planejamento governamental, impactos das mudanças climáticas, intoxicação dos oceanos, cidades fantasmas e os repositórios inapropriados para o descarte de lixo apontam: os processos de produção e consumo estão em desequilíbrio, matando o planeta. Seriam traços de cidadania e politização da vida as atitudes dos consumidores quando se veem diante de outras possibilidades como alimentação slowfood, veganismo, consumo de produtos orgânicos na busca por um estilo de vida mais sustentável? Este artigo apresenta os seguintes objetivos: apontar as implicações das cidades inteligentes nas práticas de consumo cotidiano, por meio da técnica de estudo de caso e observação participante realizada na rede Eataly de supermercado e alimentação SlowFood em outubro de 2014 em Milão, na Itália. A partir dessa analise pretende-se mostrar as mudanças no comportamento do consumidor frente as novas tendências por alimentação mais saudável, movimento anti fast food nas chamadas “smart cities” ou cidades inteligentes e suas correlações com o movimento da sustentabilidade frente ao cenário policrísico mundial que enfrentamos.

    Palavras-chaves: Cidades Inteligentes, Consumo, SlowFood

    Acesse o artigo na íntegra: Cidades Inteligentes: Implicações para as Práticas Cotidianas do Consumo

    Vivian Aparecida Blaso Souza Soares César, Professora na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais (PUC-SP), MBA em Gestão Estratégica de Marketing (UFMG), Especialista em Sustentabilidade (FDC), Relações Públicas (CNP), Pesquisadora do Núcleo de Estudos da Complexidade (Complexus) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP).

    E-mail: vivianblaso@uol.com.br

     
  • 18 ago

    A ÉTICA DA RELIGAÇÃO 

    “Se a crise ecológica é uma expressão ou uma manifestação externa da crise ética, cultural e espiritual da modernidade, não podemos iludir-nos de sanar a nossa relação com a natureza e o meio ambiente, sem curar todas as relações humanas fundamentais”.

    No processo de Life Coaching a aproximação com a essência humana se torna a via regeneradora da vida abrindo novos caminhos e direcionamentos. O trecho que destaquei da encíclica de Francisco aposta na cura das relações fundamentais para a saída da crise ecológica. É a aposta na Ética da religação individuo/especie/sociedade proposta por Edgar Morin. Cada passo na direção do autoconhecimento é uma aproximação com o nosso sentido de existência humana no planeta.

    Mas afinal o que é Coaching?

    É um processo conduzido por um profissional qualificado, geralmente com certificação e habilitação profissional visando identificar o estado atual de seu cliente auxiliando a caminhar junto com ele até um estado desejado. Este processo pode ser realizado em diversos momentos da sua vida pessoal e profissional. A partir de uma metodologia específica o processo de coaching permite o alinhamento e equilíbrio pessoal e profissional. Coaching não é auto ajuda e não é terapia, é uma metodologia processual que requer envolvimento e reciprocidade. Durante o processo crenças e valores são questionados. Muitas vezes, adotamos comportamentos que acabam nos afastando da nossa essência e até mesmo do nosso sentido de existência.  Estamos vivendo uma sociedade 24/7 ( 24horas por dia durante os sete dias da semana) e com isso, acabamos deixando de lado prazeres, criações, momentos de ócio, contato com a natureza e com isso ficamos entorpecidos por prazeres que nos condicionam a ter e não a ser. Só vamos construir uma nova sociedade se apostarmos na ética da religação que propõem a Ecologia Integral como a via regeneradora das ideias e novas ideias poderão nos levar a outra condição: aquela que nos devolva direitos universais como proposta na declaração universal dos direitos humanos de 1948.

     

    Recomendação de leitura: Edgar  Morin. O método 6: ética. Trad. Juremir Machado Silva. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2005.

    Declaração Universal:  http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf

    ProfessoraVivian Blaso: Life Coach com certificação internacional pela SLAC Coaching. Relações Públicas, Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais (Antropologia) – PUC SP; Especialista em Gestão Responsável para Sustentabilidade – FDC – Fundação Dom Cabral e Diretora da Agência Conversa Sustentável. Professora na FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Blogueira em Sustentabilidade. Pesquisadora do Núcleo de Estudos da Complexidade na PUC SP.

    Pesquisa: Sustentabilidade e Complexidade: O impacto das tecnologias sustentáveis no estilo de vida contemporâneo.

    Curriculo Lattes

    Email: vivianblaso@uol.com.br

     
  • 17 ago

    CONSCIÊNCIA AMBIENTAL JÁ É O PRINCIPAL FATOR PARA ADESÃO A SOLUÇÕES INTELIGENTES DE COMBATE A CRISE HÍDRICA 

    Grandes períodos de estiagem, aumentos dos custos e crise econômica motivam aumento de 40% no índice de interesse e procura pelo sistema de medição individualizada

    Desenvolvida há 11 anos pela CAS Tecnologia, a medição individualizada de água tem despertado cada vez mais interesse na sociedade, tanto no segmento doméstico quanto no corporativo. Segundo a Sabesp, o índice de procura para uso residencial da ferramenta cresceu 40% – a CAS passou de 20 mil pontos de medição individualizada de água instalados em 2013, para cerca de 35 mil pontos até o início desse ano, em São Paulo -, apesar de 85% dos condomínios da cidade ainda não contarem com preparação para receber o sistema. As informações foram apresentadas durante Fórum sobre como a tecnologia pode ajudar no combate à crise hídrica, patrocinado pela CAS, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de redes inteligentes para utilitties.

    “Quando lançamos a medição individualizada, em 2004, enfrentamos muita dificuldade para convencer os usuários sobre a importância e funcionalidade da ferramenta. Na fase seguinte, a sociedade passou a entender melhor o conceito da medição individualizada e mais do que isso, a questão da justiça social – cidadãos querem pagar de acordo com seu consumo, e não mais pela conta do seu vizinho. Atualmente, com o agravamento da crise hídrica entramos em uma terceira etapa – da consciência ambiental. Ou seja, além da busca por redução de custos, entra em cena também o temor de que um recurso até pouco tempo atrás tido como infinito, termine”, explica Marco Aurélio Teixeira, gerente de negócios da CAS Tecnologia.

    Um mercado em evolução

    Não foi apenas a forma como a medição individualizada passou a ser vista pela sociedade que mudou. A própria tecnologia, que consegue estimular uma redução de 20% em média no consumo de água já nos primeiros três meses, que evoluiu e passou a despertar interesse de outros segmentos.

    “Ao longo desses 11 anos, identificamos que a informação faz toda a diferença no perfil de consumo de água de cada indivíduo. Quando a conta é individualizada e o usuário é informado sobre seu consumo e o quanto terá que pagar por isso, se assusta e passa a consumir de uma forma mais consciente. Por isso, vislumbramos a necessidade de aperfeiçoar o funcionamento do sistema”, diz Marco.

    As medições, que inicialmente ocorriam apenas mensalmente, passaram a ser diárias e atualmente chegam a ser feitas de forma horária, durante a madrugada, quando o consumo médio é zero ou perto disso. “É justamente neste período do dia que a curva de consumo sai do seu padrão normal, indicando a possível ocorrência de vazamento ou desperdício, por exemplo”, completa o executivo.

    De acordo com Marco, a piora no quadro de ameaça de falta de água, a preocupação em cortar custos e a possibilidade de valorização do imóvel tem atraído interesse de novos segmentos, como prédios com mais de dez anos de construção, bem como empresas e indústrias. Mesmo envolvendo obras mais complexas e tendo um custo maior do que no caso de empreendimentos mais novos, que já são entregues pelas construtoras preparados para receber o sistema de medição individualizada, o mercado de imóveis antigos tem registrado aumento na demanda. “Em 2014, a CAS Tecnologia fez a conversão de sistema em três edifícios. Apenas no primeiro semestre desse ano, esse número subiu para oito”, afirma.

    Medição setorizada

    No caso do mercado corporativo, o maior interesse pela medição individualizada, surgiu recentemente, para atender duas demandas: otimização de custos e pela necessidade de conhecer o perfil do consumo de água do negócio e, assim, entender onde estão os vilões. Essa busca de informações fez com que surgisse um novo modelo operacional da tecnologia – a medição setorizada.

    Com esse sistema é possível monitorar todo o setor produtivo da indústria e saber, em detalhes, qual o consumo em cada etapa da operação. Os resultados permitem ao empresário mexer nos processos, reduzir o desperdício no uso de água, ter maior controle e, como resultado final, além de benfeitoria ambiental, diminuir custos de fabricação do produto.

    App para ajudar na gestão de consumo

    Após evoluir na forma de medição, procurando levar mais informações e assim estimular a redução do consumo de água, a CAS Tecnologia anuncia o desenvolvimento de um aplicativo mobile, que vem de encontro com esse aumento da preocupação com o meio ambiente, por meio do uso mais consciente do recurso hídrico.

    O app, que tem lançamento previsto para o segundo semestre desse ano, rodará em todas as plataformas: Android, iOS e Windows Phone. “O sistema permitirá que a CAS Tecnologia chegue de forma direta a todas as pontas do processo. Trata-se de um sistema que ajudará a disciplinar o cliente e permitirá que ele tenha maior controle de consumo de água de uma forma acessível, eficiente e simples”, conta Marco Aurélio.

    Inédita no mercado, a ferramenta terá uma série de funcionalidades e fácil manuseio. Será possível traçar meta de consumo mensal de água, verificar diariamente como está o índice e prever com antecedência qual será o valor da conta daquele mês. Caso aconteça um consumo inesperado ou a meta saia da curva estipulada no decorrer do período, o app vai alertar o usuário por meio de um alarme, indicando a suspeita de um vazamento. O mesmo aviso trará outros dados como a data da ocorrência e o total de volume perdido. A novidade também trará informações sobre as tabelas de tarifas das concessionárias de água – tanto a simples quanto a progressiva.

    Redes inteligentes de água

    Cerca de 40% da água produzida no Brasil é perdida antes mesmo de chegar à casa do consumidor final. Ou seja, a cada 100 litros produzidos, 37 litros nem alcançam seu destino final. A situação ainda piora em alguns estados brasileiros, onde o valor bate a marca de 76 litros. O mesmo índice é de 20% na Inglaterra, chega a 7% na Alemanha e não passa de 3% no Japão. “As principais causas para esse prejuízo são vazamentos nas tubulações, problemas nas ligações de redes de distribuição de água e envelhecimento de redes – principalmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro”, aponta Juliano Abreu, Gerente de Novos Negócios da CAS Tecnologia.

    Em sua apresentação no Fórum, Juliano destacou a existência de uma tecnologia que já existe na Europa, América do Norte e Ásia, e que acaba de desembarcar no Brasil via CAS Tecnologia – o Smart Water. “Trata-se de uma rede de medição inteligente de água, que possibilita a identificação de irregularidades e perdas em tempo real, proporcionando uma distribuição eficiente e inteligente, além da gestão mais eficaz”, explica. Atualmente, a CAS conta com projetos-piloto do sistema no Brasil e exterior.

    A solução tem capacidade de atender todas as etapas do processo operacional dentro das concessionárias: tratamento, armazenamento, distribuição e consumo. De acordo com estudo da consultoria Pike Research, o sistema deve ganhar corpo nos próximos anos não apenas no Brasil, mas no mundo todo – a previsão é de que o número de medidores inteligentes de água no planeta chegue a 25 milhões, em 2016. “Perto do segmento de energia, que conta com mais de um bilhão de medidores inteligentes, é pouco, mas mesmo assim trará resultados significativos, como um potencial de economia anual mundial de US$12,5 bilhões, distribuídos em gestão de vazamento e pressão, operação e manutenção de rede, entre outros”, destaca Juliano.

     Para mais informações, acesse: http://www.castecnologia.com.br

     

     
  • 9 ago

    Da crise ecológica ao pensamento complexo 

    Edgard de Assis Carvalho analisa a Laudato Si’ e estabelece as relações entre o documento apostólico e o pensamento complexo de Edgar Morin

    Por: Ricardo Machado

    Em uma ecologia integral não há centro nem periferia, há relações. Vivemos um período ainda muito marcadamente moderno, sobretudo se considerarmos a compartimentação dos conhecimentos, resultado de um processo cartesiano de intensa disciplinarização dos conhecimentos. Na prática, esta racionalidade nos leva àquilo que Bergoglio chama, na Laudato Si’, de Crise Ecológica e, para tanto, sugere a perspectiva da Ecologia Integral.

    O ponto de vista religioso apresentado na Encíclica encontra guarida na ciência naquilo que Edgar Morin chama de “pensamento complexo”. “Religar ciências, espiritualidades, artes, propor vias para o futuro da Terra-Pátria, restaurar a Ética, construir processos educativos que superem as fragmentações disciplinares são os objetivos últimos do pensamento complexo”, explica o professor e pesquisador Edgard de Assis Carvalho, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “Francisco afirma que é preciso revigorar a ideia de que somos uma família humana e que o local e o global são faces de uma mesma moeda. A Ecologia religa necessariamente humanidade e animalidade, pois tudo isso está interconectado numa espécie de síntese sem síntese”, frisa.

    Descolada de uma ideia integral, a racionalidade moderna elevou o antropocentrismo ao grau máximo de suas possibilidades técnicas comandadas por uma ideia de poder soberano. “O antropocentrismo é expressão máxima disso. O homem não é centro de nada. Essa cultura do narcisismo amplia intolerâncias, guerras, extermínios. A natureza não existe para ser submetida ao homem. A relação homem-natureza é de coautoria, e não de dominação ou submissão”, avalia. “O racionalismo, a racionalidade, a racionalização elegeram o homem como todo-poderoso e cimentaram a ideia de que a natureza existe para ser dominada e submetida por ele. Se a ideia do poder de Deus implica uma subjetividade absoluta, o poder do Homem expõe uma subjetividade relativa, pois somos, ao mesmo tempo, iguais em gênero e espécie e diferentes em culturas e especificidades”, complementa.

    Edgard de Assis Carvalho é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo – USP, doutor em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, pós-doutor pela Ecole des Hautes Études e Sciences Sociales – EHESS, na França, e livre docente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. É professor titular de Antropologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, e representante brasileiro da Cátedra Itinerante Unesco Edgar Morin – Ciuem. É um dos autores de Cultura e pensamento complexo (Natal: EDUFRN, 2009). De suas obras, destacamos: Ética, solidariedade e complexidade (São Paulo: Palas Athena, 1998), Edgar Morin: em busca dos fundamentos perdidos. Textos sobre o marxismo (Porto Alegre: Editora Sulina, 2002) e Cultura e Pensamento complexo (Porto Alegre: Sulina, 2012).

    Confira a entrevista.

    IHU On-Line – Que relações se podem estabelecer entre a Laudato Si’ e o paradigma da complexidade de Edgar Morin ?

    Edgard de Assis Carvalho – Laudato Si’ tem uma estrutura auspiciosa. Compõe-se de 246 tópicos distribuídos em seis capítulos interligados, cuja característica não linear leva o leitor aos dilemas, contradições, aporias e utopias da contemporaneidade. Há capítulos que explicitam o evangelho da criação, outros que investem mais nas raízes da crise generalizada dos ecossistemas. O capítulo 4 — Uma ecologia integral — é conceitual, teórico, explicita as condições do bem viver, da justiça, da ética. Os dois capítulos finais são propositivos, investem no diálogo intercultural, no reconhecimento, na colaboração das culturas, na religação entre espiritualidades, principalmente a cristã, as ciências, as artes. O pensamento complexo — que prefiro não chamar de paradigma, pois um paradigma é sempre um dispositivo com regras, preceitos, consensualidades — é sempre marcado pelo princípio da incerteza racional que envolve uma postura de descentramento do sujeito e sua reinserção na teia da vida. As espiritualidades em geral — a cristã inclusive — são formas cognitivas básicas de humanos de todos os tempos. O iluminismo consagrou as luzes da razão considerando que a via racional era o único acesso possível ao entendimento. A tradição judaico-cristã incumbiu-se do resto. Religar ciências, espiritualidades, artes, propor vias para o futuro da Terra-Pátria, restaurar a Ética, construir processos educativos que superem as fragmentações disciplinares são os objetivos últimos do pensamento complexo. Com mais de 2.500 páginas, os seis volumes de O Método — A natureza da natureza, A vida da vida, O conhecimento do conhecimento, As ideias, A humanidade da humanidade, Ética — explicitam esse metaponto de vista (Porto Alegre: Sulina, 2005).

    IHU On-Line – Como o senhor interpreta o conceito de Ecologia Integral trazido por Bergoglio?

    Edgard de Assis Carvalho – O conceito de Ecologia integral integra o homem na natureza, a natureza da química da vida. No Capítulo 1 da Laudato Si’ — O que está acontecendo com a nossa casa — há uma constatação que considero crucial. Sofremos no corpo e na mente os efeitos da ‘globalização da indiferença’, do mal-estar na civilização. Francisco afirma que é preciso revigorar a ideia de que somos uma família humana e que o local e o global são faces de uma mesma moeda. A Ecologia religa necessariamente humanidade e animalidade, pois tudo isso está interconectado numa espécie de síntese sem síntese. A sustentabilidade dos ecossistemas requer novas formas de regulação das políticas públicas que se preocupem com as futuras gerações.

    IHU On-Line – De que forma os processos históricos foram esfacelando a ideia da complexidade humana? O que isso tem a ver com as dinâmicas que resultam no tecnocentrismo?

    Edgard de Assis Carvalho – O tecnocentrismo é a expressão máxima do quadrimotor — ciência, técnica, indústria, Estado — que comanda os dispositivos da realidade líquida em que vivemos. Em Rumo ao abismo (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007), que reúne um conjunto de pronunciamentos de Edgar Morin em jornais, conferências, está contida a ideia de que, para sair da crise geral — e não apenas da ecológica — é necessário mudar o paradigma. Desde Heidegger, sabemos que, em si mesma, a técnica não é boa nem má, pois tudo depende daqueles que fazem uso dela. Um acontecimento-mundo expressa essa ambivalência: a destruição de Hiroshima e Nagasaki, em seis e nove de agosto de 1945. Por que acontecimento-mundo? Porque pela primeira vez na história constatou-se que um artefato técnico, produto de um desenvolvimento exponencial da Física, resultou na destruição em massa de homens, cidades, ecossistemas. Qualquer forma de centrismo é um prejuízo real e simbólico para a vida. O antropocentrismo é expressão máxima disso. O homem não é centro de nada. Essa cultura do narcisismo amplia intolerâncias, guerras, extermínios. A natureza não existe para ser submetida ao homem. A relação homem-natureza é de coautoria, e não de dominação ou submissão.

    IHU On-Line – Que relações podemos estabelecer entre o conceito de “homem” abordado por Morin, que o percebe como uma tríade — indivíduo, sociedade, espécie —, e a ideia do Deus trino da Encíclica? Qual a questão de fundo que está por trás desta argumentação?

    Edgard de Assis Carvalho – O homo sapiens sapiens demens contém a ideia de que não somos apenas racionais. Esse duplo sapiens implica assumir que, no mundo animal, alguma forma de sapientalidade já existe, principalmente no caso dos primatas não humanos. Esse é o sentido trino da ideia de homem: ele é indivíduo-sujeito, traz consigo uma longa trajetória onto e filogenética; ao mesmo tempo é sociedade, pois sempre paga um preço muito alto para viver com os outros, é espécie — hominídea — que lhe confere uma especificidade no processo de evolução da vida. A questão de fundo a que você se refere traduz o esgotamento do raciocínio binário consagrado pela visão cartesiana. Assumir os mistérios da trindade é situar-se num paradigma indiciário que não diaboliza as luzes da razão, mas acredita que, sob e sobre elas, existem sombras, mistérios, loucuras, imanências, transcendências. Oriunda dos pressupostos da espiritualidade cristã, a ideia do Deus Trino — pai, filho, espírito — é, simultaneamente oposta e complementar à tríade indivíduo, sociedade, espécie. Por isso, é necessário colocá-las em circuito dialógico, recursivo, hologramático. Como está posto no capítulo seis da Laudato Si’, essa via “indica-nos o desafio de tentar ler a realidade em chave trinitária”.

    IHU On-Line – De que maneira a Economia, enquanto ciência, coloca-se em uma posição deificada com relação às questões contemporâneas?

    Edgard de Assis Carvalho – Vistos isoladamente, os processos econômicos contemporâneos que minimizam meios para maximizar fins sempre conduzem à expansão das desigualdades por toda a face da Terra. Basta olhar o que ocorre na América Latina, na Europa — o exemplo da Grécia é paradigmático a esse respeito —, nos Estados Unidos. A Economia reduz o homem a uma engrenagem descartável empenhada na rentabilidade imediata, no crescimento econômico, nos rendimentos do capital. Em decorrência disso ampliam-se as desigualdades, a pobreza, a concentração das rendas nas mãos de poucos. A Laudato Si’ elenca as sucessivas Declarações, apelos, conferências que, desde os anos 1970, alertam para os perigos iminentes que essa lógica impõe ao planeta. Sabemos todos que a implementação dessas recomendações por parte dos Estados nacionais e blocos econômicos é frágil, tímida, ineficaz. Os ecossistemas vivos correm o sério risco de destruição nas próximas décadas, se algo não for posto em prática de imediato.

    IHU On-Line – Em que medida essa postura científica que ignora os efeitos (colaterais e previstos) de suas ações é subsidiária da racionalidade judaico-cristã, que elege um ser todo poderoso, imanentizada pelos humanos?

    Edgard de Assis Carvalho – O racionalismo, a racionalidade, a racionalização elegeram o homem como todo-poderoso e cimentaram a ideia de que a natureza existe para ser dominada e submetida por ele. Se a ideia do poder de Deus implica uma subjetividade absoluta, o poder do Homem expõe uma subjetividade relativa, pois somos, ao mesmo tempo, iguais em gênero e espécie e diferentes em culturas e especificidades. Em 2012, houve um encontro no Rio de Janeiro patrocinado pelo SESC nacional. Edgar Morin apresentou um texto-base com um curioso título: Para um pensamento do Sul (Rio de Janeiro: SESC, Departamento Nacional, 2011). Não foi nada fácil deixar de conceber esse Sul como uma entidade geográfica. Existem Nortes e Suis. Baseado na irreversibilidade da tecnociência, do cálculo, do lucro a qualquer preço, o pensamento hegemônico do Norte consagra a ideia do homo economicus e deixa de lado o amor, a dádiva, a comunhão, a espiritualidade, a convivialidade, a brincadeira. A degradação das solidariedades tradicionais e o reconhecimento do todo do qual fazemos parte foram deixados de lado. A universalidade que nos comanda exige um reaprendizado constante. Somos todos filhos do Céu, da Terra e, se quisermos, de Deus também. Temos de assumir essa tríade universal, dialogar permanentemente com ela, e trabalhar seu lado contraditorial, complementar, indeterminado.

    IHU On-Line – Como a fragmentação e a compartimentação dos conhecimentos nos conduziu à Crise Ecológica em sentido conceitual?

    Edgard de Assis Carvalho – Em uma das epígrafes de Ciência com consciência (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005 – 8ª Edição), Edgar Morin reitera que a fragmentação é a barbárie do pensamento, e a complexidade a civilização das ideias. Essa barbárie se expressa no fato de que a figura do especialista e do expert deve ser vista com reservas. Precisamos de um tipo de especialista que não se contenta mais com os contornos sitiados da sua érea, mas expande suas argumentações para além dela. Daí decorre a crise geral dos saberes que presenciamos hoje. Oriunda do grego, a palavra crise expressa corte, supressão, mas também potência para tomar outros rumos, ou seja, construir vias alternativas para o futuro dos sistemas vivos. O século XXI não conseguirá concretizar a crença de que vivemos hoje uma sociedade do conhecimento se não virarmos a página dos centrismos. Precisamos de vias alternativas que acabem por desembocar numa Via para o futuro da humanidade (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011), título este de um livro de Edgar Morin de 2011.

    IHU On-Line – Do que se trata a ética do pensamento de Morin? Como esta perspectiva dialoga com a ideia da Ecologia Integral de Francisco?

    Edgard de Assis Carvalho – O volume seis de O Método, de 2014, retorna aos dilemas da era planetária. A terra-pátria é a comunidade de destino que fornece as bases éticas para a humanidade, assentadas em três princípios básicos: solidariedade, responsabilidade, reconhecimento. Todo ato ético implica a religação com o outro, com os seus, com a comunidade, com a humanidade, com o cosmo. Por isso, a ética de si — autoética —, a ética do outro — socioética — e a ética das espécies — antropoética — constituem uma tríade indissociável para a instauração da democracia cognitiva, da política de civilização, da restauração da esperança. Sistematizada no capítulo quatro da Encíclica, a ideia da Ecologia integral, fundada no bem viver, no bem comum, na justiça intergeneracional, parte da crítica aos antropocentrismos modernos e reitera que “as espécies vivas formam uma trama que nunca acabaremos de individuar e compreender. A natureza não pode ser apartada de nós. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramo-nos”.

    Uma ecologia verdadeiramente humana, ou seja, uma ecologia geral dos ecossistemas vivos, pode ser obra de um Deus criador e também de homens empenhados em fortalecer os laços conviviais em prol de uma comunidade de destino sustentável para todos. Dialogar com essas posturas pode trazer ressonâncias no ensino e na pesquisa. É claro que, sem excluir o ensino dito laico, as Pontifícias Universidades Católicas têm um importante papel a cumprir ao promover, de fato, o diálogo entre os saberes culturais, quaisquer que sejam eles, sem qualquer tipo de rejeição ou censura.

    IHU On-Line – Como promover as religações dos saberes? Qual a importância desta perspectiva para os desafios do século XXI?

    Edgard de Assis Carvalho – Promover a religação requer uma reforma global dos educadores. Como Marx já afirmara, reforma do ensino e dos educadores têm de caminhar juntas. Centros de difusão de saberes universais, as Universidades enfatizam a especialização, estimulam a fragmentação, aderem acriticamente a sistemas de avaliação e controle que aceleram o produtivismo e a expertise. O fosso entre cultura científica e humanista se amplia a cada dia e a formação não leva em conta a religação. São inúmeros os projetos que tentam mudar de caminho. Empenhado em reformar o ensino médio na França, em 1998, Morin defendeu a religação como forma de regeneração de um humanismo não antropocêntrico. Competências tecnocientíficas são fundamentais, mas devem ser inseridas em contextos mais amplos. Os sete saberes necessários à educação do futuro (São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001) teve ampla divulgação no Brasil, provocou uma certa mobilização, mas a Universidade não discutiu o texto como deveria, a não ser nas brechas criadas por alguns núcleos e grupos de pesquisa.

    Em 2010, em Fortaleza, Morin presidiu a Conferência internacional intitulada Os sete saberes necessários à educação do presente. Resultado do encontro, a Carta de Fortaleza fez um apelo dirigido a instituições estatais, privadas, confessionais, instando-as a repensar seus modelos de ensino e pesquisa. Em 2014, Edgar Morin publicou Ensinar a viver – manifesto para mudar a educação. Na conclusão é mais uma vez reiterada a ideia de que “o objetivo da reforma de educação é o bem viver de cada um e de todos, principalmente de professores e alunos. É preciso regenerar Eros, pois ‘tudo aquilo que não se regenera, se degenera’. Essa frase serve de epígrafe a mais essa reflexão baseada na esperança de uma política de civilização para a nossa casa, termo usado pelo Papa Francisco que sempre sugere ‘a riqueza do pluralismo’ como antídoto à tentação ditatorial”.

    IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

    Edgard de Assis Carvalho – A leitura sistemática da Laudato Si’ demonstra que toda vez que a religação é posta em marcha, o conhecimento se amplia de forma democrática, complexa, filosófica, religiosa.

    Leia mais…

    • A revogação do antropocentrismo e a aquisição de saberes transversais. Entrevista com Edgard de Assis Carvalho publicada na IHU On-Line, edição 402, de 10-09-2012.
     
  • 9 ago

    CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’ DO SANTO PADRE FRANCISCO 

     
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