Atualizações de agosto 2012 Ativar/desativar aninhamento de comentários | Teclas de atalho

  • 30 ago

    “Deus não morreu. Ele tornou-se Dinheiro”. Entrevista com Giorgio Agamben 

    Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/512966-giorgio-agamben

    “O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro”, afirmaGiorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News, 16-08-2012.
    Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de HeideggerGiorgio Agamben foi definido pelo Times e por Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.
    Segundo ele, “a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas“. Assim, “a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo,  aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afima Agamben.
    A tradução é de Selvino  J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.
    Eis a entrevista.
    O governo Monti invoca a crise e o estado de necessidade, e parece ser a única saída tanto da catástrofe  financeira quanto das formas indecentes que o poder havia assumido na Itáli. A convocação de Monti era a única saída, ou poderia, pelo contrário, servir de pretexto para impor uma séria limitação às liberdades democráticas?
    “Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. ”Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.
    Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a idéia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro.  Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro.  O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu  o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania ), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
    A crise econômica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?
    A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema econômico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado.  Eu disse “nós, europeus”, pois me parece que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido,  ele, como hoje aparece  como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda econômico,  mas talvez consista nisso, no fato de que  o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história  e o passado tem um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.
    O passado não é, pois, apenas um patrimônio de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi.  Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, aSicília, sob este ponto de vista é exemplar)  têm com relação às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim,  da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com  as autopistas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.
    Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado  ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o esnobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimônias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar a todo conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua sendo humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida.

    A sua obra mais conhecida, Homo Sacer, pergunta pela relação entre poder político e vida nua, e evidencia as dificuldades presentes nos dois termos. Qual é o ponto de mediação possível entre os dois pólos?
    Minhas investigações mostraram que o poder soberano se fundamenta, desde a sua origem, na separação entre vida nua  (a vida biológica, que, na Grécia, encontrava seu lugar na casa) e vida politicamente qualificada (que tinha seu lugar na cidade). A vida nua foi excluída da política e, ao mesmo tempo,  foi incluída e capturada através da sua exclusão. Neste sentido, a vida nua é o fundamento negativo do poder.  Tal separação atinge sua forma extrema na biopolítica moderna, na qual o cuidado e a decisão sobre a vida nua se tornam aquilo que está em jogo na política.  O que aconteceu nos estados totalitários do século XX reside no fato de que é o poder (também na forma  da ciência) que decide, em última análise, sobre o que é uma vida humana e sobre o que ela não é. Contra isso, se trata de pensar numa política das formas de vida, a saber, de uma vida que nunca seja separável da sua forma, que jamais seja vida nua. 

    O mal-estar, para usar um eufemismo, com que  o ser humano comum se põe frente  ao mundo da política tem a ver especificamente com a  condição italiana ou é de algum modo inevitável?  
    Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais  econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência.  As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo,  aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”.

    O estado de exceção, que o senhor vinculou ao conceito de soberania, hoje em dia parece assumir o caráter de normalidade, mas os cidadãos ficam perdidos perante a incerteza na qual vivem cotidianamente. É possível atenuar esta sensação?

    Vivemos há decênios num estado de exceção que se tornou regra, exatamente assim como acontece na economia  em que a crise se tornou a condição normal. O estado de exceção – que deveria sempre ser limitado no tempo – é, pelo contrário, o modelo normal de governo, e isso precisamente nos estados que se dizem democráticos.  Poucos  sabem que as normas introduzidas, em matéria de segurança, depois do 11 de setembro (na Itália já se havia começado a partir dos anos de chumbo) são piores do que aquelas que vigoravam sob o fascismo. E os crimes contra a humanidade cometidos durante o nazismo foram possibilitados exatamente pelo fato de Hitler, logo depois que assumiu o poder, ter proclamado um estado de exceção que nunca foi revogado. E certamente ele não dispunha das possibilidades de controle (dados biométricos, videocâmaras, celulares, cartões de crédito) próprias dos estados contemporâneos. Poder-se-ia afirmar hoje que o Estado considera todo cidadão um terrorista virtual. Isso não pode senão piorar e tornar impossível  aquela participação na política que deveria definir a democracia. Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmaras não é mais um lugar público: é uma prisão.

    A  grande autoridade que muitos atribuem a estudiosos que, como o senhor, investigam a natureza do poder político poderá trazer-nos esperanças de que, dizendo-o de forma banal,  o futuro será melhor do que o presente?
    Otimismo e pessimismo não são categorias úteis para pensar. Como escrevia Marx em carta a Ruge: ”a situação desesperada da época em que vivo me enche de esperança”.

    Podemos fazer-lhe uma pergunta sobre a lectio que o senhor deu em Scicli? Houve quem lesse a conclusão que se refere a Piero Guccione como se fosse uma homenagem devida a uma amizade enraizada no tempo, enquanto outros viram nela uma indicação  de como sair do xequemate no qual a arte contemporânea está envolvida.
    Trata-se de uma homenagem a Piero Guccione e a Scicli, pequena cidade em que moram alguns dos mais importantes pintores vivos. A situação da arte hoje em dia é talvez o lugar exemplar para compreendermos a crise na relação com o passado, de que acabamos de falar. O único lugar em que o passado pode viver é o presente, e se o presente não sente mais o próprio passado como vivo, o museu e a arte, que daquele passado é a figura eminente, se tornam lugares problemáticos. Em uma sociedade  que já não sabe o que fazer do seu passado, a arte se encontra premida entre a Cila do museu e a Caribdis da mercadorização. E muitas vezes, como acontece nos templos do absurdo que são os museus de arte contemporânea,  as duas coisas coincidem.
    Duchamp talvez tenha sido o primeiro a dar-se conta do beco sem saída em que a arte se meteu. O que faz Duchampquando inventa o ready-made?  Ele toma um objeto de uso qualquer, por exemplo, um vaso sanitário, e, introduzindo-o num museu, o força a apresentar-se como obra de arte.  Naturalmente – a não ser o breve instante que dura o efeito do estranhamento e da surpresa – na realidade nada alcança  aqui a presença: nem a obra, pois se trata de um  objeto de uso qualquer, produzido industrialmente, nem a operação artística, porque não há de forma alguma umapoiesis, produção – e nem sequer o artista, porque aquele que assina com um irônico nome falso o vaso sanitário não age como artista, mas, se muito, como filósofo ou crítico, ou, conforme gostava de dizer Duchamp, como “alguém que respira”, um simples ser vivo.
    Em todo caso, certamente ele não queria produzir uma obra de arte, mas desobstruir o caminhar da arte, fechada entre o museu e a mercadorização.  Vocês sabem: o que de fato aconteceu é que um conluio,  infelizmente ainda ativo, de hábeis especuladores e de “vivos” transformou o ready-made em obra de arte. E a chamada arte contemporânea nada mais faz do que repetir o gesto de Duchamp, enchendo com  não-obras e performances a museus, que são meros organismos do mercado, destinados a acelerar a circulação de mercadorias, que, assim como o dinheiro, já alcançaram o estado de liquidez e querem ainda valer como obras. Esta é a contradição da arte contemporânea: abolir a obra e ao mesmo tempo estipular seu preço.
     
  • 29 ago

    FAPESP e APAE apoiarão pesquisa sobre deficiência intelectual 

    29/08/2012

    Por Elton Alisson
    Agência FAPESP – A FAPESP assinou, no dia 20 de agosto, um acordo de cooperação científica com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE-SP) para apoiar projetos de pesquisa sobre deficiência intelectual – caracterizada por limitações no funcionamento intelectual e do comportamento que são detectadas ao nascer ou durante a infância e a adolescência por meio de testes apropriados.
    O acordo prevê a seleção de até quatro projetos em temas relacionados à deficiência intelectual – como genética e biologia molecular, cognição e desenvolvimento, imaginologia cerebral e neonatologia e triagem neonatal –, que serão desenvolvidos no Instituto APAE de São Paulo de Pesquisa e Formação.
    Os projetos de pesquisa serão realizados no âmbito do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, lançado há 15 anos pela FAPESP para apoiar a criação de novas linhas de investigação e a formação de novos grupos de pesquisa em temas emergentes e ainda não suficientemente explorados por cientistas atuantes no Estado de São Paulo.
    O programa, que já apoiou mais de 1,2 mil cientistas do Brasil e do exterior para realizar pesquisas em instituições no Estado de São Paulo, oferece o financiamento necessário para que o pesquisador desenvolva seu projeto.
    De modo a selecionar os quatros pesquisadores, a FAPESP e a APAE-SP farão uma chamada de propostas e publicarão anúncio nas principais revistas científicas internacionais convidando pesquisadores de todo o mundo a inscrever projetos na área.
    Os projetos inscritos serão submetidos à análise de propostas da FAPESP, que é baseada no mérito científico e utiliza revisores externos e análises de comitês científicos para embasar suas decisões.
    As propostas aprovadas serão apreciadas por um comitê gestor, formado por representantes da FAPESP e da APAE-SP, que indicará os quatro projetos finalistas que iniciarão o programa de pesquisa.
    “Este acordo científico entre a FAPESP e a APAE-SP possibilita colocar a ciência a serviço daqueles que necessitam que o conhecimento sobre a deficiência intelectual seja aprofundado e aprimorado”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.
    “O acordo também possibilita à FAPESP uma interação com o chamado terceiro setor em uma matéria de grande relevância na agenda social do nosso país, estado e município, que é a inclusão social, que permite o empowerment da cidadania, traduzido de modo mais preciso como dar as pessoas acesso pleno à vida e à cidadania”, disse Lafer.
    Na avaliação de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, o acordo também permite à Fundação realizar uma ação que a instituição tem se engajado intensamente nos últimos anos, que é a de criar uma conexão entre a atividade e aplicação da pesquisa.
    Além disso, também possibilitará à FAPESP superar um de seus desafios, que é o de encontrar instituições no Estado de São Paulo onde os pesquisadores possam ser alocados para realizar suas pesquisas.
    “Um dos desafios para a ciência e tecnologia no Estado de São Paulo é aumentar o número de pesquisadores e de instituições envolvidas com pesquisa”, disse Brito Cruz.
    “A pesquisa hoje no Estado de São Paulo está muito concentrada em universidades e institutos de pesquisa, e é bom que ela ocorra mais perto do lugar onde é necessária. Isso sem nenhum demérito para a pesquisa universitária, que é muito importante. Mas ambas são essenciais”, disse.
    Desafios científicos
    Alguns dos principais desafios na pesquisa sobre deficiência intelectual no Brasil, apontados por especialistas presentes na cerimônia de assinatura do acordo, é conhecer melhor as causas e frequência da deficiência intelectual no país.
    Mais associada a causas genéticas, como a síndrome de Down, a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, a deficiência intelectual tem diversos outros fatores pré, peri e pós-natais.
    Alguns deles, como o uso de drogas, álcool e tabaco, são bastante prevalentes no Brasil. Entretanto, de acordo com os pesquisadores da área, as estatísticas sobre o número de pessoas com deficiência intelectual no país estão subestimadas.
    “Não temos dados claros sobre qual o tamanho do problema da deficiência intelectual no Brasil”, disse Felipe Clemente dos Santos, membro do conselho de administração da APAE-SP e neto do médico Antonio dos Santos Clemente Filho, que fundou a APAE há 51 anos e faleceu no início de 2012.
    “Uma das estatísticas indicam que 1,3% da população brasileira tem deficiência intelectual. Mas, quando comparamos esse número com outros países, é possível perceber que ele está altamente subestimado”, disse Clemente.
    Outros desafios científicos na área são aprimorar os exames neurológicos neonatais para possibilitar detectar as causas da deficiência intelectual e tentar diminuir os efeitos deletérios de perda neuronal ou de alteração de circuitos no cérebro de pacientes com deficiência intelectual.
    Além disso, segundo Esper Abrão Cavalheiro, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Conselho Científico do Instituto Apae de São Paulo, também é preciso compreender melhor o processo de envelhecimento das pessoas com deficiência intelectual, que passaram a viver cada vez mais nas últimas décadas.
    “Até o século passado se acreditava que as pessoas com deficiência intelectual morressem cedo, mas elas também se beneficiaram de todo o avanço que ocorreu na medicina nas últimas décadas e estão chegando hoje aos 50 ou 60 anos”, disse Cavalheiro à Agência FAPESP.
    “É preciso saber se eles envelhecem e apresentam as mesmas doenças na velhice que as pessoas sem deficiência intelectual. Nós sabemos que eles possuem algumas particularidades, como ter mais obesidade e hipertensão. Porém, ainda não conhecemos exatamente quais as causas”, disse.
    Cavalheiro também ressaltou que é preciso desenvolver políticas públicas voltadas para planejar a velhice das pessoas com deficiência intelectual e proporcionar os cuidados de que necessitam, dado que nesta fase é comum os pais ou parentes próximos que cuidavam deles já terem falecido ou estarem bastante idosos.
    “Isso representa um problema social. O país precisa se preparar para proporcionar os cuidados de que essas pessoas necessitem e não realizar uma inclusão social apenas nominal, mas que de fato resulte em uma melhor qualidade de vida para as pessoas com deficiência intelectual”, afirmou.
    O acordo de cooperação entre FAPESP e APAE-SP está disponível em: http://www.fapesp.br/7165.
     
  • 28 ago

    O trabalho em Home Office é bom para quem? 

    *Vivian Blaso – 28/08/2012

    De acordo com a pesquisa global da empresa de recrutamento Robert Half, com 1.876 diretores de RH em 16 países, o Brasil é o terceiro país onde a incidência de trabalho remoto mais aumentou (47%), atrás da China (54%) e Cingapura (50%).
    Mas afinal, o trabalho em Home Office é bom para quem? É o que fomos investigar com o Consultor em Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos Roberto Monastersky.
    Confira a entrevista na íntegra:
    CS. As novas tecnologias e a mobilidade urbana têm sido apontadas como justificativas para o trabalho em Home Office. Mas afinal, esse trabalho pode ser uma opção para qualquer tipo de empresa e qualquer tipo de perfil profissional?

    R. O trabalho em Home Office é especialmente interessante para empresas que trabalham com projetos e para profissionais com alta maturidade e disciplina profissional. Considerando a qualidade dos resultados esperados e prazos a serem cumpridos, esta forma de trabalhar não é apropriada para todos. Há profissionais que necessitam da disciplina de um horário fixo e de uma supervisão presencial. Para outros, “ir trabalhar” é relevante, pois é no trabalho que estabelecem grande parte das relações sociais. O profissional com perfil mais próximo ao trabalho em Home Office demonstra grande disciplina, experiência, espírito inovador, mecanismos próprios para evitar o isolamento social e escolha do momento ideal de vida e carreira.

    CS. Quais são as vantagens para o empregador?

    R. A grande vantagem consiste na diminuição de custos com escritórios e tempo de deslocamento dos profissionais, principalmente em grandes centros urbanos como São Paulo. O trabalhador com perfil adequado pode desenvolver um maior nível de motivação, e a empresa pode aumentar a retenção de talentos, ter maior possibilidade de contratação de profissionais com alguma deficiência física, considerando a não necessidade de adaptação de espaços e maior imunidade a greves no sistema de transportes. 
    CS. Quais as vantagens para os profissionais?

    R. Maior qualidade de vida, ausência de deslocamentos, menor risco de acidentes no trânsito, diminuição da poluição por uso de veículos, economia de tempo e diminuição do estresse. O ambiente doméstico em geral é menos estressante. Com planejamento, é possível ser mais produtivo e eficiente no trabalho.

    CS.  Isso é bom para a economia?


    R. Sim, na medida em que se mantiver estável ou crescente a quantidade de postos de trabalho e as condições salariais e de benefícios também sejam mantidas. Não acredito na ocorrência de desemprego na indústria de transportes. Acredito, por outro lado, num aumento de produtos para a estrutura de Home Office.
    CS. Sob o aspecto da sociabilidade, isso pode afetar os vínculos das relações afetivas?

    R. Sim, o Home Office distancia as pessoas. Se o profissional trabalhar a maior parte do tempo em Home Office, poderá perder o sentido de pertencimento, isto é, fazer parte de uma equipe. É recomendável existirem reuniões periódicas na empresa para que os profissionais interajam.

    O trabalho em Home Office precisa ser aplicado na dose certa. É necessário equilíbrio, pois caso contrário aquilo que teria a intenção de melhorar as condições de vida da sociedade trabalhadora atual poderá contribuir para uma piora nas relações afetivas e sociais.
      
    Roberto Monastersky é Consultor em Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos, professor do Master In Business Administration – MBA FIA, membro efetivo do Grupo Diógenes (Grupo Sênior de Executivos em Recursos Humanos – ABRH) e tem mestrado em curso voltado ao estudo das lideranças nas organizações pela PUC/SP.
     
  • 28 ago

    Coordenadora do Curso de Pós Graduação em Construções Sustentáveis na Revista Sustentabilidade 

     
  • 28 ago

    Rede Resíduos na Revista Sustentabilidade 

     
  • 27 ago

    Entrevista Revista Sustentabilidade sobre o novo consumidor e a sustentabilidade 

     
  • 27 ago

    EMPRESAS DAS ÁREAS DE LICENCIAMENTO E SUSTENTABILIDADE SE UNEM E LANÇAM MARCA COM CONCEITO INÉDITO NO MUNDO 

    Marca Beleza Sustentável®  é destinada a produtos que contribuem com o bem-estar, saúde, qualidade de vida e sustentabilidade das pessoas
      
    São Paulo, 27 de agosto de 2012.  De um lado um profissional que é considerado um ícone de ética e credibilidade na área de licenciamento de produtos no Brasil e no exterior, com uma experiência de mais de 33 anos na área, tendo atuado nas mais referenciais empresas de licenciamento do Brasil, o publicitário Luiz Angelotti. 
    Do outro, uma empresa pioneira em desenvolvimento sustentável, fundada em 1997, sendo responsável pelo lançamento do primeiro portal de meio ambiente da América Latina juntamente com o Universo Online (UOL) e a primeira agência de comunicação ambiental do País, responsável pela realização de cerca de vinte eventos sustentáveis no Brasil, a Ambiente Global Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável. 
    Juntas, as empresas Angelotti Licensing e Ambiente Global Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável, reúnem suas experiência nas áreas de licenciamento e sustentabilidade, que são duas das que mais crescem no Brasil, no lançamento da marca Beleza Sustentável®  – Sua Conexão com a Fonte Natural de Bem-Estar. 
    Criada pela empresa Ambiente Global, Beleza Sustentável®  nasceu a partir de um estudo realizado pela jornalista Graça Lara, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), que concluiu que a sustentabilidade do Planeta está diretamente relacionada à sustentabilidade das Pessoas – Se eu respeito à mim mesmo(a), respeito ao próximo e, consequentemente, respeito à Natureza. 
    A marca Beleza Sustentável®  foi lançada oficialmente em março de 2010, em um grande evento que durou dois dias no HSBC Brasil, em São Paulo, reunindo alguns dos principais palestrantes do Brasil. Hoje, a marca Beleza
    Sustentável®,   que já tem até um livro, conta com um festival anual de
    música, dança e teatro, que acontece na cidade mineira de Araxá, reconhecida internacionalmente como a “capital brasileira do bem-estar”. 
    Beleza Sustentável® parte do princípio que a força maior do Ser Humano é interna, e o seu desenvolvimento deve começar a partir de si mesmo, confirmando a origem da palavra “educação”, que vem do latim “educo”, que significa “fazer, revelar, desenvolver de dentro para fora” e levando em consideração o caminho positivo a partir das cinco dimensões humanas: espiritual, mental, emocional, física e financeira.
    Para Luiz Angelotti, Beleza Sustentável®  vem atender a uma demanda da sociedade por uma marca que além de ser sustentável, faz todo o sentido para o consumidor que busca um mundo melhor e poderá mostrar o seu comprometimento com a sustentabilidade do Planeta, por meio da sua própria sustentabilidade. Angelotti, que administra mais de 40 marcas e personagens em seu portfólio, incluindo títulos como Lilica Ripilica, Tigor T.Tigre (Marisol), Banda Restart, Michel Teló, Emerson Fittipaldi e famosas séries animadas, como Dragon Ball Z e Os Cavaleiros do Zodíaco, acredita que a marca Beleza Sustentável®  deve movimentar R$ 100 milhões no varejo, em 24 meses, com cerca de 10 contratos de licenciamento. 
    Entre os produtos que serão licenciados pela marca estão: alimentos, artigos para esporte; bolsas e acessórios; vestuário, cama e  banho; calçados; conteúdo para celular (mobile content); cosméticos e cuidados pessoais; editorial; malas de viagem; artigos escolares, óculos; papelaria; entre outros.
    Ambiente Global
    Assessoria de Imprensa:
    Alyne Rodrigues
    Mobile: (5511) 98441-2289
     
  • 24 ago

    Recomendação de leitura – A ideia de Justiça 

    Amartya Sen, recebeu Nobel de economia por seu trabalho sobre a economia do bem estar social. Em seu livro a Ideia de Justiça nos propõem uma reflexão sobre a nossa maneira de fazer escolhas sob a perspectiva da liberdade. No capitulo III sobre o Desenvolvimento Sustentável, Sen aponta novos olhares sobre a nossa responsabilidade em relação a outras especies – ” Uma vez que somos muito mais poderosos do que outras espécies, temos certa responsabilidade em relação a elas, que se relaciona com essa assimetria de poder. Podemos ter muitas razões para nossos esforços conservacionistas: nem todas elas parasitam nosso próprio padrão de vida (ou satisfação de necessidades) e algumas aguçam precisamente nosso senso dos valores e o reconhecimento de nossa responsabilidade fiduciária”. Sen, encerra essa seção com uma crítica aos nossos padrões de vida ou satisfações de nossas necessidades,  pois somos um ser múltiplo de necessidades que nunca serão plenamente satisfeitas. A importância da vida humana não reside apenas a satisfação dessas necessidade mas está diretamente ligada a liberdade que desfrutamos, uma vez colocada essas questões, o autor propõem uma reformulação do conceito de desenvolvimento sustentável proposto por Brundtland,  pois não somos apenas “pacientes” cujas necessidades merecem consideração, mas “agentes” cuja liberdade de decidir o que valorizar extrapola os nossos próprios interesses.
     
  • 24 ago

    Pensamento do dia… 

    “O pessimismo é uma doença grave, que precisa ser curada. O pessimista possue a doença de não ver nada de bom no amanhã, e também fica lamentado o passado. O pessimista vê o mundo com a cabeça dominada pela desconfiança. O pessimista não acredita si e nem nos outros. E podemos dizer que também coloca dúvidas sobre a capacidade de Deus agir. Já o otimista vê o futuro com o coração e, por isso, como uma oportunidade de Deus”. “Vivei sempre contentes. Em tudo dai graças…”(1Tes 5,16.18)

     
  • 21 ago

    No além das máquinas

    (Para o engenheiro Milton Vargas)
    Vilém Flusser e Milton Vargas se correspondiam regularmente e Flusser escrevia ensaios especialmente para o amigo, mesmo sem a intenção de publicá-los. 
     
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